Muitas vezes as coisas estão escondidas, nem sempre são fáceis de serem vistas e muito menos apreciadas. Existe uma certa dificuldade para que se pare e se observe o que acontece ao redor.Há tanta coisa para se ver... Realmente é uma pena. Perdemos a nossa sensibilidade para o tempo e a rotina. Sempre se caminha com pressa, sempre se dirige com raiva, sempre passando pelos mesmos lugares, sempre tendo algo para fazer, sempre tendo um prazo e um horário a cumprir. Sempre, sempre, sempre. Nunca se tem algo. Não se tem mais paciência, não se tem mais prazer, não se tem mais disponibilidade, não se tem mais humor.
Temos que nos abrir, temos que criar espaços. Estamos sempre perdendo, por que não nos permitimos ganhar? Deixemos o acúmulo de responsabilidade e trabalho para o outro dia, pelo menos uma vez, e deixemos que nossos amigos invadam nossas casas, junto com flores, doces e alegrias. Deixemos para falar dos problemas mais comuns para que façamos planos para o futuro, uma viagem ou uma breve saída. Deixemos de reclamar para que agradeçamos, não importa o quão pequena seja a coisa ou o ato. Deixemos os espinhos e sejamos as rosas.
Não temos que ser felizes em tempo integral, até porque assim não seria tão prazeroso, mas não sejamos pedras. Vamos ser vento. Pedras são duras, empatam o caminho, nunca andando nem para frente nem para trás, sempre dura, sempre seca, sempre cinza, marrom ou preta. Sejamos o vento, que se permite caminhar, se desdobrar, manobrar, ter seus momentos, ser único, maleável e doce.
Não podemos perder, não importa se sejam os segundos, ou o momento ou os frutos. Deixe que possamos apreciá-los. Deixe que venham e mesmo que não sejam intensos, que marquem. Como diz a música: "vamos nos permitir". Deixe que cometamos erros, mas também deixe que possamos consertá-los. Deixe que briguemos ás vezes, mas também deixe que perdoemos. Deixe que possamos aproveitar a vista para que possamos lembrá-la. Deixe, permita, abra espaço.
Se não conseguimos olhar ao nosso redor e tirar algo positivo de lá, do que serve? Se não conseguimos ignorar as muitas coisas ruins e olhar com o coração para as coisas boas, do que serve? Que vejamos o que temos! Que seja ruim, mas que também seja bom. Nossos olhos estão aqui. para serem usados com cautela e astúcia. Eles servem para ver, absorver, aprender, gravar, nossas portas da alma. Que eles mostrem algo colorido, que nossa alma seja colorida. Que apreciemos a beleza da natureza na curva das montanhas, nos topos das árvores, no brilho do sol, na passagem dos animais. Que apreciemos o homem e suas extensões, que vejamos os atos de amor e bondade mais simples, que seja distribuído o que há de bom e recolhido o que há de mal, que apreciemos as dobras das esquinas, as alturas dos prédios, a beleza das artes.
Não precisamos dos lápis, precisamos das cores. Deixe que elas se expressem por meio de nós, deixe que sejam expansivas, vamos sair do contorno. Temos que dar mais, deixar passar, nos levantar e mudar. Não podemos ser cinzentos, temos que vestir nossas cores. Não podemos nos render a rotina, vamos sempre transformar nossos dias para que nenhum seja igual ao outro. Não abaixemos a cabeça para atos inaceitáveis, porque nos achamos pequenos. Ora, se somos pequenos, que cresçamos o suficiente para enfrentar o que nos oprime, que tomemos nossa dose de coragem.
Vamos plantar um pouco mais, vamos colocar a semente, vamos ter paciência e ver nossa plantinha crescer e florescer. Vamos recolher nossos fruto, que primeiro serão pequenos, mas o tempo dará tamanho a eles. A vida é o nosso tempo para sermos plantas.Alguém nos semeou e espera e cuida de nós para que cresçamos, que formemos nossos galhos, mesmo que torcidos. Alguém espera nossas flores e nos temos a alegria de criarmos nossos frutos. Esse alguém que espera e aprecia é ninguém mais que você mesmo. Mesmo que depois apareçam mais especadores, nós somos os melhores para gostarmos de nós mesmo.
Então, que às vezes pare, sente em um banco e observe o seu redor. Vejam o que tem para você: se são as árvores, os pássaros, as pessoas e seus passos apressados, as crianças e sua diversão constate. Às vezes, só pare, relaxe e respire. Veja com os olhos. Aproveite o redor. Só sente e descanse. É melhor apreciar enquanto se tem tempo, do que correr do relógio quando se der conta do que perdeu.