Por que estas faces?
Por que tão cansada?
Por que tão pobre?
Por que tão refém?
Tiraram sua casa Maria?
Tiraram seu rio?
E agora, Maria, como vai alimentar os seu filhos?
Me diga, Maria, com que madeira vai sustentar sua casa?
Cada a renda, hein Maria?
Tá com José?
E cadê ele, Maria?
A lama também levou.
E agora Maria, como fica o teu nome?
Fica manchado de dor e de fome
De perda e de luta
E de uma força absurda
Não abaixa a cabeça agora não Maria
Se não outra lama te leva
Essa lama chamada tristeza
Te carrega e não solta mais.
Veste estas faces, Maria,
E não ande para trás
Só sobrou o que está à frente
Atrás só tem resto
E resto não se come, não se vende e nem se veste.
Agora, Maria, vai ter que viver com aquilo que nem tinha.
Os peixes não tem mais
As paredes estão nuas
As fotografias estão perdidas
As cédulas de dinheiro, molhadas
Pois é, Dona Maria, vai ter que achar agora um novo rumo pra seguir e uma nova estaca para se apoiar.
Agora Maria virou Mariana.
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