sábado, 19 de dezembro de 2015

#009

Eu tenho medo
Medo de não me verem
De não me ouvirem
De não me sentirem

Houveram momentos em que gritei
Houveram momentos em que calei
Me mostrei, me entreguei,e doei.
Me escondi, me encolhi, me apaguei.

Um dia, porém, entendi.
Como queria ser vista
Se nem eu mesma me via?
Um espelho na minha frente sem imagem.

Como seria?
Onde me encontrarei?
Onde tinha me deixado?
Como eu era?

Tentei máscaras,
Vestir outras faces que não eram minhas.
Tentei fantasias, sonhos e medos.
Nenhum funcionou.

Nada encaixava, nada combinava.
Parti em uma jornada
Sem mapa, sem rumo e sem volta
Não voltaria para a partida.

Eu fugia, mas agora eu apenas ia.
Ia sem olhar para trás.
Porque era lá que ficava meu castelo vazio,
Vazio de alma, de calma e de mim.

Cansei da constantes faltas de imagem.
Percebi que não me encontraria completa
E muito menos perfeita.
Teria que construir.

Com isso, pelo caminho que andava
Coletei aquilo tudo que percebi me pertencer, 
Me acrescentar, me crescer, me melhorar.
E cheguei ao fim da trilha.

Lá tinha um espelho que também era porta.
Me olhei e pela primeira vez me vi.
Sorri e vi que ainda tinha buracos.
Mas todos os tem, eles são necessários.
Decidi, então, abrir a porta e me deixar ir.
E assim me senti flutuar e percebi
Se achar é o mesmo que voar.

A confiança em si mesmo são suas asas.
Elas te carregaram, impulsionaram e te encaminharam.
São essas asas que te tornam pássaro e são elas que fazem o movimento mais importante. 
Graças a transformação, você se torna aquilo que toda ave é:
LIVRE!

sábado, 12 de dezembro de 2015

Maria Mariana #008

Aí Maria, por que este nome?
Por que estas faces?
Por que tão cansada?
Por que tão pobre?
Por que tão refém?

Tiraram sua casa Maria?
Tiraram seu rio?
E agora, Maria, como vai alimentar os seu filhos?
Me diga, Maria, com que madeira vai sustentar sua casa?

Cada a renda, hein Maria?
Tá com José? 
E cadê ele, Maria?
A lama também levou.

E agora Maria, como fica o teu nome?
Fica manchado de dor e de fome
De perda e de luta
E de uma força absurda

Não abaixa a cabeça agora não Maria
Se não outra lama te leva
Essa lama chamada tristeza
Te carrega e não solta mais.

Veste estas faces, Maria,
E não ande para trás
Só sobrou o que está à frente
Atrás só tem resto
E resto não se come, não se vende e nem se veste.
Agora, Maria, vai ter que viver com aquilo que nem tinha.

Os peixes não tem mais
As paredes estão nuas
As fotografias estão perdidas 
As cédulas de dinheiro, molhadas
Pois é, Dona Maria, vai ter que achar agora um novo rumo pra seguir e uma nova estaca para se apoiar.
Agora Maria virou Mariana.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Na minha mente #007

Eu te olho e você me vê.
Que engraçado, nunca vi isso acontecer.
Isso é novo. Você faz isso com todo mundo? Espero que não.
Você sorri para mim. Boto uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Você fala comigo. Pergunta como estou, fala do seu dia, fala dos seus gostos, do que você gosta de fazer. Você canta. Você encanta.
Eu fico vermelha. Sorriu de volta. Tento falar algo sem parecer boba. Oh! Meu Deus! Acho que falei besteira. Vou fingir que não falei. Saiu, volto, saiu de novo. Você ri de novo e fala algo similar ao que eu falei. Ufa! Ainda bem! Rio, agora leve. Falo para você sobre mim. Só besteiras, que vergonha! 
Quando escuto essa conversa comigo mesma me sinto tão ingênua! Eu sei, é tudo tão novo! Novo e desconhecido. O que fazer? O que não fazer? O que dizer? Como se comportar? Tudo isso passa pela minha cabeça. 
Já te beijei, mas não vou beijar de novo. Já te disse e não repito. Que façamos tudo uma vez! Um salto único em um sentimento! Sem prisões, sem laços, só palavras e querer bem. Te quero aqui e agora, mas eu não sei se vou querer depois. Então me ouça agora. Vamos andar, mas sem precisar segurar as mãos ou fazer promessas. 
Mas e se você não quiser isso? Então meu bem, sinto muito, sou de Sagitário e conheço a liberdade de voar